Fernandomoreno’s Weblog

Entradas desde Outubro 2008

Abram alas que aí vai o INEM. (Des)orientação de doentes

2008 Outubro 23 · Comentários Desligados

 

 

 

São amarelos, riscados de azul, com gritos horrorosos de sirenes e estonteantes roncos, esplendorosas cintilantes e psicadélicas luzes de tejadilho, frente e traseira, percorrem constantemente os caminhos dos concelhos pitorescos, dilacerando numa azafama incontida a tranquilidade e paz da pacatez provinciana. São as novas ambulâncias do INEM, vieram para nos socorrer, mas também, sem dúvida, para nos deixar constantemente de coração na mão, pelo acutilante aparato de que nos dão conta nos mais imprevisíveis momentos do nosso quotidiano.

Não vai há muito tempo que ouvir uma sirene significava o anúncio colectivo de uma situação muito grave, o que nos deixava a todos, que moram cá pela província, de pêlos de pé e a conjecturar sobre quem seria o infeliz a quem o infortúnio lhe bateu à porta. E as notícias não tardariam a chegar, embora que geralmente especuladas, mas significavam sempre desgraça, dor, destruição e muitas vezes mesmo morte.

Até há pouco tempo entregues quase exclusivamente a incorporações dos Bombeiros Voluntários locais e polícia, esta missão de socorrer e transportar doentes vítimas de situação aguda e súbita, foi sempre merecedora de grande respeito social, não só pelo aprumo e dedicação das suas tripulações, mas também pela nobre missão que este trabalho envolvia. Nunca se ouviu ninguém criticar a inutilidade de uma sirene, muito menos deste trabalho ou da orientação que o mesmo merecia por parte das chefias e comandos.

Subitamente, e numa nova lógica de assistência pré hospitalar, o Estado acrescenta meios estruturais que rompem com o passado e tornam o nosso ambiente típico e orgulhosamente provinciano, num quase cenário cinematográfica de um Wollywood to entertainment source for movies, também a fazer lembrar as mais hilariantes películas de perseguições policiais.

Não queremos cair no ridículo de menosprezar a evolução dos tempos e protestar contra o progresso a ele inerente, mas também temos o direito de reagir contra aquilo que achamos excessivo e supérfluo por ser desajustado da realidade e se confundir com exibicionismo, parada altaneira ou para nupcial.

O nosso respeito pelos que trabalham nestas missões é, como humanamente se impõe, muito grande e sabemos que é com elevada responsabilidade que se carrega num botão e se accionam as medidas de sinalização dos carros de socorro e transporte de doentes. O problema estará nos menos escrupulosos, nos maus profissionais e nas directrizes destas organizações que são sempre especulativas para criar o furor de uma eficácia de socorro elitista, tantas vezes aquém do desejado.

Não podemos esquecer que estas estruturas que vão desde ambulâncias ao cuidado de organizações como Bombeiros, Policia, etc até SIV´s VMER´s e helicópteros, são “comandadas” por um centro de orientação conhecido pelas siglas CODU. Ora aqui é que reside o descrédito gerado em torno da actuação de algumas acções.

Quando ligamos o 112 logo após a primeira identificação da ocorrência pelo telefonista, se esta for do foro da saúde, ela será conduzida para o tal CODU  a quem compete atender, avaliar e registar, no mais curto espaço de tempo, os pedidos de emergência. É este organismo do INEM que acciona o meio de socorro no terreno, que esteja disponível, e que fique mais apropriado à situação em causa, indicando-lhe, sumariamente, a casuística patológica que se pretende socorrer. Mas é também o CODU que indica à tripulação de socorro para onde devem encaminhar os doentes entretanto recolhidos naquela missão.

Parece, portanto, tudo isto muito bem organizado e eficiente. Mas…porque não nos convencemos? Não! Ainda não esquecemos o escândalo nacional que envolveu o referido CODU no caso infeliz de Castedo Alijó, não fosse tratar-se da morte de um cidadão, ter-nos-íamos rido à gargalhada de tanta inépcia. Mas também é com espanto que vemos esse aparatoso socorro em total desproporção com a ocorrência, que às vezes é uma ligeira picada de um prego, ou simplesmente por um pedido de transporte de um doente cuja patologia se manifestou há semanas atrás. Eu sei que há sempre a justificação de dizer que o atendimento tem de ser rápido seja o que for para se estar disponível para uma ocorrência pior. Mas isso nunca justificará o pavoneamento ridículo que às vezes (vezes de mais) assistimos.

Nesta descrição, do que achamos desproporcionado e errado, temos ainda, penosamente que lamentar, que estes meios de socorro conduzam, com o aparato anteriormente descrito, na maioria dos casos, na mais irracional utilização de meios, os doentes para serviços de urgência, a mais de 100 kms, no caso do Alto Minho, quando podiam ser atendidos bem perto, nos ainda SAPs dos centros de saúde , que ainda vão funcionando 24horas

Alguém é peremptório em afirmar que tal orientação se deve à necessidade de reduzir drasticamente o número de atendimentos de urgências nos SAPs para que estes possam ser desactivados sem protestos das populações…ou seja, mais uma repercussão inerente à assinatura dos tais Protocolos que algumas autarquias fizeram com o Ministério da Saúde.

Desculpem a malvadez da minha pergunta: Será que as sirenes nas ruas dão mais votos que o atendimento sereno de proximidade e eficaz dos SAPs?

Outubro 2008

FERNANDO MORENO

Categorias: Opinião

Excluir emigrantes, somar empregos

2008 Outubro 23 · Comentários Desligados

 

 

O partido do Governo, decidiu impedir os nossos emigrantes de votarem por correspondência nos actos eleitorais portugueses, passando a ser exigido que, para cumprirem esse dever cívico, têm que se deslocar aos Consulados ou Embaixadas, se as houver, ou mesmo virem a Portugal.

Esta decisão socialista da Assembleia da República, que só foi acompanhada pelo PC, é mais uma machadada sobre esta imensa comunidade de cerca de 5 milhões de portugueses, a quem o Estado não conseguiu dar o mínimo de condições para que não tivessem que morrer à fome ou partir para terras estrangeiras.

Aliás esta má relação dos socialistas de Sócrates com os emigrantes já se vem manifestando desde o princípio do seu mandato. Todos temos presente a decisão deste governo de agravar os custos dos portes do correio para os jornais regionais que iam para o estrangeiro, para que os emigrantes ficassem privados de receber as notícias da sua terra, que normalmente nunca abonam a favor do actual Governo. Também ainda temos todos presente a decisão de Sócrates de mandar encerrar Consulados e Embaixadas para que os emigrantes se afastassem cada vez mais do nosso país.

Há quem diga que tudo isto se deve à fraquíssima pontuação eleitoral que as sondagens dão ao PS junto dos emigrantes, o que, aliás, se pode comprovar pelo desaire eleitoral que o mesmo PS tem sofrido na emigração nas eleições anteriores.

Mas se Sócrates não gosta de emigrantes e impede-os de maior proximidade imaterial à Pátria mãe, para outras coisas o P.M. conta com eles e até usa e abusa dos emigrantes.

Não é que alguém descobriu que Sócrates para cumprir a tal promessa dos 150 mil novos empregos durante o seu mandato, está a contar, já, com cerca de 30% de novos empregos arranjados no estrangeiro pelos novos emigrantes? De facto esses empregos só se devem a Sócrates, porque tem sido durante o seu mandato que mais se tem degradado as condições de vida dos cidadãos, tendo estes que emigrar!

Só na Galiza já estão 51 mil trabalhadores, sendo que tiveram que procurar lá trabalho e lá ficaram, só em 2008, mais de 11 mil portugueses.

Recorde-se, mais uma vez, para os mais distraídos, que este êxodo, esta vergonha nacional, só atingiu estas metas no tempo de Salazar o que torna esta ocorrência mais uma lamentável coincidência do salazarismo com o socratismo.

Mas podemos ainda somar a este número vergonhoso mais 65.000 que já foram para Angola, considerada uma terra do terceiro mundo, à procura de um país melhor que Portugal!

Está claro que o governo e o partido que o apoia sabem que todos estes milhares de emigrantes que se juntam aos milhões já existentes, nunca votarão neste P.M. que, no nosso entender, tão mal os tem tratado. Por isso o seu voto é indesejado ao PS, logo, há que impedir que o mesmo possa ser facilmente feito por correspondência.

Em conclusão diremos que ninguém esperaria que a tal promessa de Sócrates de dar 150 mil empregos passasse pela necessidade dramática do recurso à emigração e que nestas circunstâncias o mesmo governo lhes haveria de retirar regalias para que não pudessem manifestar nessa grande arma da democracia que é o voto, a revolta que sentem por serem tratados como portugueses de segunda.

Tal como já vem sendo vaticinado, o actual governo de José Sócrates, ficará na história nacional como o principal responsável por um dos maiores êxodos de sempre de população portuguesa para o estrangeiro e também pela maior subtracção de direitos de cidadania aos emigrantes!

Outubro 2008

FERNANDO MORENO

Categorias: Opinião

Computadores e cheques para a Educação

2008 Outubro 23 · Comentários Desligados

 

 

Começou o novo ano escolar. O rescaldo da desgraça do ano anterior ainda não foi resolvido. Não se esquece com facilidade a posição firme e praticamente unânime que os professores tomaram contra as políticas de Educação do governo socialista, bem como de reprovação que muitas associações de pais manifestaram contra o descalabro do desinvestimento do governo na Educação.

Segundo alguns analistas a ministra da tutela não foi exonerada, aquando das manifestações dos professores, durante o final do último ano lectivo, porque isso, depois da demissão do então ministro da Saúde, numa nítida cedência à vontade popular manifestada por todo o país, significaria uma fragilidade governamental ao que se seguiria, muito possivelmente, a queda de todo o governo.

Sócrates sabia que ceder mais às reclamações da população seria perder as rédeas ao poder o que era um risco para a sustentabilidade política do seu governo, que já tinha esgotado o “estado de graça”.

É agora necessário assegurar que a decisão de manter a ministra e as mesmas políticas para o sector, foi uma aposta acertada pois se assim não fosse correr-se-ia o risco de a tumultuosa insatisfação de professores voltar para a rua.

Ao que tudo leva a crer foram, então, estudadas várias intervenções no sentido de anular a iniciativa de revolta e insatisfação da população.

A primeira iniciativa mediática, e considerado por muitos opositores ao regime, de baixo nível pelo estilo “propagandístico, indecente e terceiro mundista”, foi a distribuição de computadores aos alunos que em 2009 têm capacidade eleitoral. Depois seguiu-se mais uma tranche de distribuição de computadores e internet a outros alunos. E como tudo isto, ao que dizem, fez subir as sondagens do partido do governo e porque os pais também votam, “inventou-se” o “Magalhães”, um computador que seria supostamente português para distribuir por todas as crianças do primeiro ciclo.

O presidente da Venezuela, amigo intimo do nosso Primeiro-mininstro, “sensibilizado” com a invenção do camarada Sócrates,  porque o populismo socialista está em franca fase de expansão também no seu país, encomendou logo uns milhões de “Magalhães” para deliciar as criancinhas da Venezuela, reforçando assim, no mesmo estilo português, a politica democrática e das amplas liberdades que vimos assistindo nos últimos tempos em ambos os países.

Mas Sócrates terá achado que os computadores ainda não eram coisa suficiente para debelar a péssima imagem que o último ano lectivo deixou nos portugueses, e criou o “Dia do Diploma”. Ou seja um dia em que todos os ministros, numa acção de mobilização governamental nunca vista, saíram para as escolas a entregar diplomas de mérito e cheques de 500 euros aos melhores alunos. As televisões cumpriram o dever de informar levando aos portugueses os mais “eloquentes” discursos sobre a efeméride num total disparate de jornalismo que cedeu, mais uma vez, a escabrosas manobras de propaganda.

Porque internamente era necessário mobilizar vontades, também as “Novas Fronteiras”, fórum socialista de elite, se dedicaram a ovacionar em rasgados elogios a coragem e competência da ministra da Educação, que cá fora todos contestam

Mas porque a desilusão sobre as políticas de educação do governo estão perigosamente na memória dos portugueses, ainda foi necessário recorrer do presidente da república para que este também entrasse na propaganda e saísse para a rua a perguntar às pessoas se não gostam das escolas novas que o governo tem mandado construir nos últimos anos, bem como chamar a atenção dos autarcas para a assunção de responsabilidade na gestão escolar.

Se o governo não fosse socialista haveria ainda uma raiva incontida de protestos ruidosos contra a inépcia e falta de coerência da ministra e não haveria nenhum presidente da república que se prestasse a este papel de, a propósito de elevar a auto-estima nacional, branquear aquilo que de pior o país tem.

Sócrates e seu governo deveriam estar mais preocupados com a Acção Social do Estado na escola e proporcionar de forma inquestionável o que está constitucionalmente consagrado, que é o ensino obrigatório e gratuito até ao 9 ano. Por isso em vez de oferecer computadores deveria previamente oferecer todos os manuais escolares durante a escolaridade obrigatória, porque os seus custos são incomportáveis para muitas famílias portuguesas. Em vez de distribuir cheques deveria arranjar professores suficientes para o desempenho pedagógico junto de crianças com dificuldades acrescidas, que este mesmo governo, tão obstinadamente subtraiu.

O Sr. Presidente da república em vez de se preocupar com a opinião dos portugueses sobre as escolas novas, cujo discurso opinativo é óbvio, deveria preocupar-se com a opinião dos portugueses sobre a desertificação do parque escolar e a manutenção de escolas que têm tetos a cair na cabeça dos alunos e professores, e em vez de exigir aos autarcas mais atenção na gestão escolar dos seus municípios, deveria exigir do governo mais responsabilidade sobre as politicas de Educação, bem como mandar congelar o aumento das propinas e até mesmo torna-las de acesso a todas as famílias. E também exigir do governo o apoio necessário para que as famílias possam escolher livremente as escolas para os seus filhos, para que os melhores estabelecimentos não sejam de acesso exclusivo para os mais ricos.

Era bom que em matéria de Educação nos poupassem a tanto show e nos dessem mais obra, mais justiça e mais equidade.

Setembro 2008

FERNANDO MORENO

Categorias: Opinião

O show mediático da polícia e a verdade do Estado

2008 Outubro 23 · Comentários Desligados

 

Sabemos do elevado sentido de responsabilidade que as polícias portuguesas têm, e que não será pelo desespero eleitoralista do PS que estas instituições modificarão a sua nobre postura de dedicação e estratégia de acção anti-crime.

            No entanto, nos últimos dias, após uma assustadora onda de violência, a que tivemos a oportunidade de nos referir antes dos outros e sobre a qual o Primeiro-ministro se calou, colocam o país com suspeitas sobre a competência, não das polícias, mas das políticas do actual governo, que além do silêncio e do desinvestimento neste sector, também é responsável pela legislação que alterou o Código Penal e o Código do Processo Penal, que facilitam a vida aos criminosos e castigam os policias.

A intervenção desastrosa do governo em matéria de Segurança, tem provocado um alerta na estratégia de recuperação da sua imagem.

Não temos dúvidas que o que temos assistido ultimamente, após o puxão de orelhas do Presidente da República, é uma lavagem permanente, meticulosamente montada, desta imagem desastrosa, por parte dos órgãos de comunicação social que estão sob tutela financeira do governo (Estado).

Depois de termos passado o tal período de grande tensão com notícias de crimes violentos, agora, também quase todos os dias, a RTP dá conhecimento público dos “êxitos e vitórias” das polícias sobre criminosos. Até uma reportagem em directo, dos tais bairros problemáticos de Lisboa, com centenas de polícias armados até aos dentes e com helicópteros (estilo USA) a sobrevoar o “”palco das operações,”…mas o resultado de tão elevado investimento mediático e operacional ficou reduzido a umas “gramitas de haxixe”. Valeu a valentia dos polícias e demonstração de meios que o governo tanto queria exibir.

Já são muitos os analistas que classificam esta acção mediática como um esforço concertado das policias, comunicação social estatal e governo, o que representa uma nova e perigosa postura de manipulação da verdade do Estado. Onde é que já vimos este estilo? Talvez a algures lá na América latina onde se praticam as “amplas liberdades”.

Não tarda que os tais média, controlados, tentarão “moralizar” a opinião pública exigindo da população mais compreensão e solidariedade para com os criminosos que “apenas roubam para comer”, porque são desprotegidos da comunidade portuguesa, porque tiveram uma infância difícil, porque o pai é alcoólico e a mãe prostituta, porque são imigrantes ilegais, porque vêm de países socialistas do terceiro mundo, porque têm armas ilegais mas não matam ninguém, porque é preciso romper com o moralismo conservador de perseguição dos criminosos de pouca monta, porque não é permitido a distribuição de drogas na prisão; porque os reclusos não aderiram à oferta de seringas pelo actual governo; porque é preciso ter cuidado com formas indirectas de xenofobia e racismo; porque … etc. Não foi neste sentido que o governo legislou sobre Código e Processo Penal em Agosto do ano passado? Perguntar não ofende!

Tendo em atenção a violência televisada dos crimes recentes é natural que o governo esteja muito arrependido da legislação que fez, porque toda a gente já viu que esta matéria legislativa é um disparate inconcebível que protege o criminoso e subestima a autoridade das instituições de segurança e judiciais. Já se consta que Sócrates mandou recuar nesta matéria de forma a “adaptar a nova Lei às exigências actuais”.

Aliás este recuo de posições políticas, anteriormente defendidas de forma acérrima, tem sido uma constante; veja-se o que disse o PS, quando na oposição, acerca dos submarinos, encomendados para protecção da costa portuguesa e o que o governo socialista, esta semana, diz sobre o avultado investimento de milhões que vai ser levado a efeito em aviões F16, para protecção do espaço aéreo português. Está visto: Sócrates não gosta da Marinha, prefere a Força Aérea e tem dificuldades com as Policias e Tribunais.

Setembro 2008

FERNANDO MORENO

Categorias: Opinião

“Portugal é um país seguro”

2008 Outubro 23 · Comentários Desligados

 

 

Em poucos dias o país viu-se confrontado com uma onda de criminalidade violenta que é paradigmática de uma Nação em avançado estado de degradação social.

Falar hoje em Valores humanos de conduta social é, para muitos “promotores” das “amplas liberdades”, retroceder nas conquistas de Abril ou da democracia e viver na letargia de uma sociedade obsoleta que não aceita o desafio da modernização.

É com estes chavões que alguns “democratas” vão iludindo os cidadãos mais desprevenidos de quem tão ingenuamente vão, também, recebendo votos eleitorais.

Não temos dúvidas que os actos de violência que assistimos nos últimos dias são resultado de uma sociedade que perde paulatinamente a noção do dever de conservar Valores que respeitem a dignidade humana.

Não é, portanto, com surpresa, que tomamos conhecimento dos resultados estatísticos relativos ao aumento da criminalidade violenta em Portugal. Está confirmado, o “carjacking” e os assaltos à mão armada a bancos, farmácias e postos de combustíveis, aumentaram no primeiro semestre deste ano.

Desde há muito tempo que especialistas e políticos vinham alertando o governo para a forte possibilidade da criminalidade violenta vir a aumentar em Portugal, tendo em atenção novos fenómenos de marginalidade social que se vêm acumulando, principalmente, nas zonas periféricas das principais metrópoles portuguesas.

Os bairros degradados não recuperam só com a atribuição de casas novas como vem sendo habitual. Os recentes casos de violência em Loures, Lisboa, a envolver guerrilhas entre guangues têm-se verificado em zonas onde foram entregues casas novas aos moradores que pagam de renda 4 a 5 euros por mês, ou seja muito menos que pagam os outros cidadãos só de IMI às câmaras municipais pelas suas próprias habitações, e ainda têm direito, na grande maioria, a Rendimento Social de Integração.

Porque assistimos quase em directo à violência dos últimos dias, não nos conformamos que haja ainda alguém com dúvidas sobre o estado de impunidade em que nos encontramos. Armas ilegais existem por todos os lados como se viu no tiroteio da Quinta de Loures em que indivíduos de raça negra rivalizavam com indivíduos de etnia cigana, numa autêntica guerra civil. Mas não consta que ninguém tenha sido preso na sequência desses actos, não obstante de terem sido filmados e mostrados em televisão.

Mais recentemente, na Quinta do Mocho um rapaz de 19 anos foi morto junto dos seus familiares, na sequência da invasão da sua casa por um grupo organizado de jovens armados, após uma festa numa cave de aspecto pestilento, onde todos estiveram. Não falta quem afirme que sabe quem foi, mas até hoje ninguém foi responsabilizado. E o mais curioso é que na noite seguinte, mesmo com a presença de polícia, os tiros de armas clandestinas voltaram a ouvir-se. Tudo ficou impune.

O caso do assalto à dependência do BES é um exemplo também paradigmático do aumento da violência em Portugal e da motivação fácil de marginais, imigrantes clandestinos, de actuarem no nosso país com o recurso a armas ilegais pondo em causa, com toda a gratuitidade, a vida das pessoas civilizadas.

Lamentavelmente o governo, através dos ministros da tutela – Administração Interna e Justiça há bem pouco tempo vinham afirmando, com regozijo, sobre a criminalidade violenta que  “Portugal é um país seguro” graças às suas medidas políticas, afirmando mesmo que nos encontramos com as melhores performances, nesta matéria, relativamente aos outros países europeus.

Esqueceram os senhores ministros e o governo que o combate à criminalidade não se faz só com policias mas sim com processos de organização e integração social para o qual o governo evidencia manifesta incapacidade, conforme os recentes dados o demonstram.

 A política de imigração continua a permitir a entrada de indivíduos ilegais tornando-se o nosso país num paraíso para a marginalidade, por não ter condições de acolhimento.

O crescente subsídio a que o governo chama de Rendimento Social de Integração se é atribuído em alguns casos com grande justiça social, também o é, em muitos mais casos, um prémio à preguiça, gerador de irresponsabilidade, que conduz a um estado comportamental de dependência e parasitismo social, muito próprio dos delinquentes.

Estará a nossa justiça preparada para lidar com a criminalidade violenta e com a astúcia apurada e bem organizada dos criminosos? A resposta mais mediática é o caso Maddi que foi arquivado, e aquele que assistimos há dias sobre aquele pai que supostamente “somente foi roubar uns quilos de ferro a uma quinta” e que na fuga, supostamente tentou matar um GNR por atropelamento e que acabou por ver o seu filho, de apenas 13 anos, que estava a seu lado, morrer vítima dos disparos “assassinos e xenófobos”, na opinião de um familiar entrevistado, das forças policiais, e que por “acaso” no dia seguinte presente a tribunal, foi de imediato posto em liberdade. Não sabia o tribunal que ele era foragido desde o ano 2000 e que usava nome falso…Que vergonha… No entanto, agora, porque somos civilizados, não podemos ignorar e deixar de lamentar, com todo o respeito, a sua profunda dor pela perda do seu filho.

Agosto 2008

FERNANDO MORENO

Categorias: Opinião

Que susto, Sr. Presidente!

2008 Outubro 23 · Comentários Desligados

 

O Sr. Presidente da República decidiu fazer uma comunicação ao País no último dia do mês de Julho.

Anunciada com menos de 24 horas de antecedência, esta comunicação, provocou, nos portugueses, uma enorme expectativa, até porque, do gabinete da presidência só era dito que “a comunicação do Sr. Presidente será sobre assunto muito importante”.

Enquanto não chegavam as 20h00 o país vivia uma ansiedade especulada pelos órgãos de comunicação social que, no ar, horas seguidas, abriam fóruns e adiantavam mil e uma hipóteses para justificar a intervenção dramática do Sr. Presidente da Republica. Era evidente que Cavaco Silva, que geralmente não faz comunicações e é parco em declarações à comunicação social, se anunciava, com tanto dramatismo, uma intervenção deste tipo no horário nobre da televisão, só poderia ser mesmo assunto gravemente importante.

Como vivemos um tempo de crise política, social e económica, o nosso raciocínio fazia-nos pensar que a intervenção do Sr. P.R. só poderia ser relacionada com a dissolução da Assembleia da Republica, aliás, por muito menos ou até nada, Sampaio tomou essa iniciativa, ou então de algum outro aspecto que tivesse a ver com o grave estado em que se encontra a classe média portuguesa, nomeadamente nos aspectos socioeconómicos das famílias.

O assunto parecia de tal forma sério que alguém, no final do comunicado, dizia, em desabafo e talvez com alguma ironia – “ francamente, reuni a família, gastei dinheiro em pistachos e cervejas, sentamo-nos frente ao plasma, garanti à família que íamos entrar numa guerra. No final nem sequer percebi o que o PR quis dizer”

De facto não passa pela cabeça de ninguém que em tempo em que não há pão o P.R. nos venha falar de circo.

Mas, se de circo não falou, para pasmo de muitos de nós a sua intervenção foi completamente ridícula tendo em conta o estado da Nação. Para devolver o Diploma sobre o  Estatuto Político-Administrativo dos Açores à Assembleia da Republica, não precisava, o Sr. P.R. de incomodar as suas férias, nem preocupar com tanto tabu os portugueses, com o secretismo que antecedeu a sua comunicação.

No reforço do dramatismo à volta deste assunto, diz o Presidente que a sua intervenção se reveste de uma importância vital para a democracia portuguesa por o tal Diploma pôr “ em causa o equilíbrio e a confiança de poderes do sistema político prevista na Constituição Portuguesa”.

Mas por que Cavaco não tratou destes assuntos nos contactos habituais que tem institucionalmente com o Primeiro-ministro e com os representantes dos partidos políticos? É caso para dizer: – Sr. Presidente, não nos incomode com matéria tão mesquinha quando estamos todos tão preocupados com o preço dos bens essenciais, com a destruição dos serviços de saúde, com a segurança pública, com a ineficiência do ensino, com o aumento da pobreza infantil, com o aumento do acesso de impostores ao rendimento de inserção social, com o aumento dos impostos, com a ineficiência dos tribunais, com as falências, com o aumento de emigração em números terceiro-mundistas, com o aumento dos juros no crédito habitação, com um país a definhar, em que a qualidade de vida e os direitos adquiridos, até antes do 25 de Abril, se vão perdendo a um ritmo avassalador, com o desnorte político do governo, etc., etc.

O P.R  para dar lições ao Primeiro-ministro e aos partidos políticos não é na RTP1, mas sim nas suas sedes.

Fiquei severamente preocupado com a insensibilidade que o P.R. demonstra, com esta atitude, relativamente aos verdadeiros problemas do País, porque, além do mais, esses é que põem em causa a Constituição Portuguesa.

Mas, já agora, ficamos sem saber porque é que o “Tratado de Lisboa” não suscitou também dúvidas ao Sr. Presidente, é que a Constituição também defende a soberania Nacional…E o que vai acontecer ao governo, se o PS só aceitar alterar as normas, do tal Estatuto dos Açores, consideradas inconstitucionais e não as 5 restantes de um total de 13? Será que nesse caso o P.R. vai dissolver a Assembleia da Republica, porque o assunto é “muito grave para o País”?

Agosto 2008

FERNANDO MORENO

 

Categorias: Opinião

O estado da Nação de Robin dos Bosques

2008 Outubro 23 · Comentários Desligados

 

Na semana passada o governo apresentou-se na Assembleia da República para dizer o que tem feito pelo estado da Nação e perspectivar, no seu entendimento, os caminhos do futuro.

Sócrates tem todo o direito de falar destas coisas da forma que entender, até porque o seu mandato foi-lhe conferido por plebiscito livre (ao que se julga) e democrático (ao que se supõe). Além do mais é o próprio órgão legislativo, a A.R., que promove a iniciativa e chama o governo, a depor, na sua sede, sobre as politicas e seus efeitos na Nação.  

O que assistimos, na passada semana na A. R., foi, sem dúvida alguma, o melhor retrato do momento ridículo que a política portuguesa atravessa. Sócrates com um discurso já alinhado na forma e no conteúdo nos termos socialistas de uma vaga Américo-latina, manteve-se, pujante na tribuna, por longas horas (estamos a exagerar) propagandeando uma plêiade de imagens feitas e estafadas ao jeito de um político que parece perdido entre a utopia de uma política, que julgamos, autista e a realidade cruel de um país completamente à deriva, onde a classe média experimenta a mais dramática situação económica e social.

No seu discurso central, o PM, exibiu, incontroladamente o seu carácter politico arrogante que recentemente se tinha procurado debelar com a publicação do livrito das suas histórias biográficas, intitulado “Sócrates o menino de ouro do PS”, que tal como os jogadores de futebol foi escritos por quem lhe dá o jeito, neste caso, a jornalista e subdirectora de informação da emissora do Estado, Antena 1, Eduarda Maio. É caso para dizer se isto é o “menino de ouro” venham depressa os meninos de barro que serão bem mais humildes… e mais parecidos connosco.

Não admira pois, que o referido discurso derivasse entre a descrição de um país fantástico, pintado cor-de-rosa, para elogiar a acção política socialista e a descrição de um outro país que permanece nas trevas por causa do governo anterior. No que ao PM umas coisas dão jeito estamos dentro dos melhores níveis de desenvolvimento, no que ao mesmo PM outras coisas dão jeito o país permanece ainda na ruína, a pagar os erros do governo anterior.

E é essencialmente com a muleta do passado que Sócrates vem vivendo de ataque em ataque, no mais despudorado e patético argumento que um socialista poderia ainda hoje ter em Portugal. Sócrates quer com este arremesso recorrente, ensaiado com a sua postura de político implacável, fazer calar aqueles que ainda sabem que o desastre económico do país foi lançado pelo seu partido em dois governos consecutivos liderados por Guterres onde também Sócrates foi governante! A vergonha da incapacidade de gestão política do país foi tal que, Guterres e seus pares, abandonaram o governo por concluir da sua inépcia.

Não entendo também porque a oposição usa tão timidamente este argumento, é que depois desse desastre político socialista guterrista, de que Sócrates é co-autor, percebia-se que a governação era difícil e só uma forte coesão entre novo governo e o Presidente da República poderia aguentar as reformas que se tornaram imperiosas.

Mas em solidariedade com socialistas despeitados, o P.R. de então, unido aos seus sentimentos partidários, num dos golpes políticos mais escabrosos do pós 25 de Abril, apercebendo-se das sondagens favoráveis ao seu partido, dissolveu a A.R. e convocou novas eleições, para as quais os actuais governantes se prepararam com a maior fraude eleitoral de todos os tempos, cometida pelos partidos da área da governação: Sócrates prometeu aos portugueses tudo que após a eleição negou.

Pena foi que na discussão do estado da Nação, da semana passada, não se tivesse, já agora, com a mesma sobranceria, confrontado o “menino de ouro do PS” com o que prometeu e com o que tem feito; com o que o governo anterior lhe deixou e o com o que o governo de Guterres deixou ao governo anterior.

Para rematar a sua larga exposição no debate sobre o estado da Nação, Sócrates anunciou um leque de “ofertas” de onde consta a taxa Robin dos Bosques. Esqueceu-se de dizer quem é o vilão de Nottingham que obriga, séculos depois, a ressuscitar a imagem mítica do amigos dos pobres…

Julho 2008

FERNANDO MORENO

Categorias: Opinião

“Fátima, fado e futebol”!E agora?

2008 Outubro 23 · Comentários Desligados

 

Todos nos lembramos da expressão dos 3 fs que se traduzia por  “Fátima, fado e futebol”, a que os mais atrevidos, quase escabrosos, juntavam outros efes, e que serviam para classificar o laxismo do Estado Novo e a anestesia para um povo, que o governo de então preferia que se “interessassem” com essas “coisas”, como chamavam os socialistas de então, para assim “andar tudo sobre rodas” na política nacional.

Com Cunhal, Delgado e outros opositores no exílio, era só aumentar os decibéis da Amália, as especulações sobre o segredo de Fátima e o misticismo lendário sobre Eusébio, e o povo não queria saber de política para nada, o que convinha, e nem reparava nas suas próprias feridas, porque se encontrava totalmente anestesiado, quase em êxtase, com tanta “maravilha” nacional que a jovem televisão ia, nesses tempos, metendo pelas casas dentro de alguns privilegiados.

Pois é, qualquer semelhança com a realidade actual é pura coincidência… ou não será? O Euro 2004, que lá vai, criou um certo “frissom” político resumido à discussão dos dinheiros gastos nos 10 campos de futebol, mas com a participação da Selecção portuguesa tudo se resolveu e o “povo” saiu para a rua em grande euforia em torno dos seus “craques” que se endeusavam de dentro de carros de luxo ao lado de louras bonitas…

Coincidência ou não, o Euro 2008, tal como antigamente, calou o “povo” que deixou de sair para os protestos de rua a que recentemente nos habituou, os jornais só falaram de futebol, os telejornais abriram e dedicaram tempos extraordinários aos jogos, jogadores e seccionador, as rádios faziam directos constantes, etc. Portugal estava todo ali: no futebol e reduzido às “maravilhas” dos jogadores, do seleccionador e da magia da bola, talvez feita na exploração infantil de um qualquer país do terceiro mundo! O resto, que interfere com a nossa vida, poupança, desemprego e situação económica do país, que resulta da acção politica do governo que temos, ficou adiado nas consciências do “povo”, e os ministros sorriram de alívio durante o Euro 2008.

Mas, depressa a anestesia chegou ao fim, Luiz Filipe Scolari que começou a carreira de profissional de futebol aos 19 anos, num pequeno clube do Brasil chamado Aymoré, e que até agora era o nosso seleccionador nacional, resolveu dar um rude golpe na força a anímica da Selecção: em pleno Euro vende-se descaradamente ao Chelsea.

As Libras inglesas falaram mais alto que os euros portugueses e que o “tal patriotismo” que o brasileiro dizia sentir por Portugal enquanto não o puseram a cheirar o dinheiro do magnata Roman Abramovich, dono do tal clube inglês.

Depois deste negócio a Selecção Nacional passou a perder todos os jogos do Euro 2008, e acabou prematuramente a anestesia que alguns políticos tanto queriam duradoira.

Os jogadores que quando chegaram à Suiça nem um ligeiro sorriso ou aceno dispensaram aos milhares de emigrantes que tão generosamente os recebiam, agora, na despedida, já se dignaram sair do autocarro e cumprimentar o “povo”. O mesmo “povo” que acorda dessa anestesia e volta em manifs para a rua; os telejornais, das TVs livres, começaram a abrir, novamente, com as notícias da desgraça de um país que atinge, segundo estudos recentes, o mais baixo nível de confiança dos portugueses, que agora, ao que parece, arrependidos do voto das últimas eleições legislativas, dizem que “nunca esperaram vida tão má”…

É bem certo que sem o futebol, com a crescente onda de ateísmo que o socialismo materialista promove e com o fado restrito a algumas salas no Bairro Alto, bem podem, certos políticos da nossa praça, ficar apreensivos, porque o povo pode, de novo, reparar “demasiado” na vida difícil a que a suas politicas nos remetem.

Julho 2008

FERNANDO MORENO

Categorias: Opinião

Onde está o Presidente da República?

2008 Outubro 23 · Comentários Desligados

 

Estamos num tempo de democracia em que nunca se falou tanto de desespero económico nas famílias, nunca se falou tanto de perseguição política, nunca se falou tanto da falta de liberdade, nunca se falou tanto de prepotência e arrogância contra os que não são do partido, nunca se falou tanto do medo do chefe, nunca se falou tanto de pobreza, nunca se falou tanto da falta de bens essenciais, nunca se falou tanto de falta de apoio do Estado na saúde, na educação, na justiça, na segurança social, etc.

Em dissonância com este estado real do país está o discurso político do Primeiro-ministro e de todo o governo que afirma que Portugal está hoje melhor e que os indicies de recuperação são mesmo muito positivos. Até o ministro da economia tem afirmado que a crise já passou.

As dificuldades sociais e esta visão distorcida da realidade nacional, por parte dos governantes, têm revoltado as populações que entendem, muito justamente, que o bem colectivo não tem sido devidamente acautelado pelo governo, que, além do mais, nos coloca cada vez mais na cauda da Europa. Daí que, não é de estranhar, a histórica manifestação de mais de 100 mil professores que abalaram o governo e exigiram respeito pela dignidade profissional de quem tem que ensinar. O arrepio ministerial foi grande e o discurso político do poder tornou-se mais humilde.

Os portugueses vêem no Presidente da República um garante dos mais altos interesses da Nação, mas começam a levantar-se muitas vozes de desilusão pela sua falta de acção em momentos difíceis que o país tem atravessado.

Aquando da crise política gerada em torno do primeiro-ministro, em pleno fim-de-semana prolongado pelo feriado do Carnaval, Cavaco, confrontado pelos jornalistas sobre a situação, respondeu de forma evasiva que “não se fale de política por ser Carnaval”, e escusando-se a comentar as notícias do PÚBLICO, adiantou: “É bom que tenhamos agora quatro dias em que não se fala de política, para os portugueses não pensarem nisso, e os próprios políticos poderem gozar com tranquilidade”… Falar de um tempo para gozar com tranquilidade, para os políticos? Não foi este Cavaco que quando era primeiro-ministro acabou com o feriado de carnaval porque achava que as necessidades do país não se compadeciam com tempos de descanso supérfluo?

Chocados com esta reacção de Cavaco esperamos melhores dias e desculpamos o incidente, por talvez ter sido irreflectido pela forte pressão jornalística.

Mas num momento seguinte, de forte crise interna, a marcha da indignação dos 100 mil professores, o mesmo PR, porque estava no Brasil, também se recusou comentar a situação do país aos jornalistas, porque “não faz comentários políticos fora de Portugal”. Infelizmente, relativamente a essa crise nunca mais veio a fazer qualquer comentário, e, como sabemos, já está há muito em Portugal.

Mais recentemente com a situação alarmante que foi a greve dos pescadores e armadores, Cavaco também não se pronunciou como se esperava de um PR.

Há dias, em plena, profundíssima e ímpar crise nacional, com as prateleiras dos supermercados vazias, sem gasolina, sem transportes, depois de manifestações de mais de 250 mil trabalhadores e sob total ameaça de colapso nacional, o Presidente da Republica, interrogado pelos jornalistas, porque Portugal precisava de saber a sua opinião, respondeu em véspera de 10 de Junho que a altura não era para comentários sobre esse assunto, o importante era comemorar o dia da Raça!

Sabemos que o staf tentou dizer que se tratou de um lapsus linguae. Para nós, isso pouco importa, o que nos importa, e lamentamos, é que o nosso Presidente da República se tenha demitido, mais uma vez, de dar aos portugueses a sua opinião sobre os graves problemas que nos afectam, por culpa da deficiente gestão política.

Nos discursos que se seguiram, nas comemorações do dia da “Raça”, Cavaco mais uma vez esteve mal ao direccionar a sua ênfase retórica para a necessidade dos portugueses trabalharem mais e melhor, não se referindo à necessidade do governo governar melhor, criando emprego e estabilidade social, nem sequer às crises sucessivas que vimos atravessando.

Onde está o presidente da republica que elegemos? Andará por aí demasiadamente entretido com a “colaboração” institucional?

JUnho 2008

FERNANDO MORENO

Categorias: Opinião

Falência, fome, TGV e sorrisos

2008 Outubro 23 · Comentários Desligados

 

Os portugueses vivem momentos difíceis, piores do que outros que história já tinha apagado.

São tempos de crescente precariedade social, relacionados com falência económica das famílias e a consequente fome e desespero social.

Por isso não admira que a conferência episcopal se tenha, recentemente, manifestado muito preocupada com esta situação.

Mas são também organizações humanitárias, de solidariedade social, que denunciam a procura de refeições por parte de um impressionante e crescente número de cidadãos e famílias que deixaram de ter independência económica. Ouvimos também organizações internacionais e independentes a denunciar que Portugal ocupa o lugar cimeiro na pobreza infantil. Vemos as taxas de juro a aumentar para valore históricos, enquanto aumenta também o crédito mal parado, ao qual se junta, para desgraça dos portugueses, a subida de preços de bens essenciais e o aumento brutal da carga fiscal.

A tudo isto, quando interrogado na Assembleia da República, o Primeiro Ministro, sorri com sobranceria e evidencia uma total falta de respeito pela oposição democrática e, pior do que isso, pelos portugueses que sofrem.

Outras vezes vem o PM dizer que está muito preocupado com o sofrimento “dos mais fracos” que têm suportado heroicamente a crise.

Mas não será que Sócrates ainda não percebeu que a crise é essencialmente da sua responsabilidade? Não venha com a desculpa do preço do petróleo. É bom que se saiba que quando Sócrates chegou ao governo  um litro de gasolina pagava 68 cêntimos de imposto e actualmente paga mais de 83 cêntimos, e quem decide isto é exactamente o Sr. Primeiro Ministro!

Não pense o Sr. PM que vamos esquecer que quando chegou ao governo tínhamos menos impostos e impostos muito mais baixos…

E se está verdadeiramente preocupado com o sofrimento dos portugueses, porque não adiou o concurso público do primeiro troço do TGV onde vai gastar, em tempo de crise, 1.450 Milhões de euros em apenas 167 km? É que este dinheiro chegava para resolver os problemas económicos dos portugueses. E, se juntarmos a este montante mais 800 milhões de euros que o Governo gastou ilegalmente, conforme denunciou recentemente o Tribunal de Contas, pode ter a certeza, o Sr. PM que os portugueses lhe ficariam muitos gratos e, estaríamos, por certo, a acompanhar o desenvolvimento social do resto da Europa.

Pelo menos deverá o chefe do governo assumir com respeito pelos portugueses e sem sorrisos o irónicos, a sua grande culpa no estado lastimável em que o país de encontra. Se tem alguma dúvida da sua responsabilidade basta pôr os olhos noutros países que, sujeitos a idênticas pressões externas conseguem com outros PMs evoluir positivamente no ranking internacional, para muita felicidade dos seus cidadãos.

Junho 2008

FERNANDO MORENO

Categorias: Opinião