No fim-de-semana passado o Conselho de Ministros decidiu nacionalizar o Banco Português de Negócios (BPN), por este, segundo o Governo, apresentar uma situação preocupante que, alegadamente, põe em causa as responsabilidades desta instituição bancária com os seus clientes.
É curioso que, repetidamente, José Sócrates, vinha dizendo aos portugueses que a crise não afectava os bancos nacionais e que estes estavam solidamente preparados para enfrentar a crise nacional e internacional.
Mais uma vez, o que nos parece é que Sócrates mentiu, e se não foi voluntária e conscientemente é porque acreditou em organismos, como o Banco de Portugal, que lhe mentiram. Ou será que Sócrates quando fala aos portugueses não consulta as entidades certas e se inspira numa retórica fácil de propaganda de regime, para manter os níveis de popularidade à custa do bluff?
Independentemente de considerarmos ou não a nacionalização do BPN uma solução acertada, é de sublinhar que é muito grave que o Primeiro-Ministro tenha verberado, supostamente com tanta leviandade, expressões de positivismo pacóvio que colocam, agora, os portugueses confrontados com mais uma mentira que descredibiliza a seriedade dos representantes do Estado, o que nos deixa mais intranquilos.
Mas esta responsabilidade é também do Banco de Portugal. Não é verdade que essa entidade estava sempre tão atenta às contas dos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes, tornando-se na Instituição mais responsável pela desconfiança dos eleitores nesses governos, e agora relativamente a um assunto que lhe diz inteiramente respeito deixou andar até se chegar à necessidade da nacionalização? Onde tem estado o socialista Victor Constâncio, Governador do Banco de Portugal? Porque não foi agora tão prudente como no tempo dos governos anteriores e avisou atempadamente Sócrates e o país para o “perigo” que o BPN corria? É que ao que se consta este aviso de Constâncio teria sido muito importante porque o Governo tinha recentemente investido no BPN 500 milhões de euros, não se sabe ainda muito bem como, provenientes do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, como denunciou recentemente Maria José Nogueira Pinto.
Tudo isto está a gerar, nos meios mais atentos, uma enorme confusão de importante responsabilidade política e as explicações do ministro Vieira da Silva ou de José Sócrates não chegam.
A nacionalização do BPN implica a utilização de dinheiros dos contribuintes, para pagar as devidas indemnizações aos sócios do BPN pela nacionalização. Não é portanto uma operação financeira ligeira, que se possa considerar de gestão corrente do Estado. Os cidadãos têm que ser muito bem esclarecidos sobre a imputabilidade de responsabilidades na situação da instituição bancária e da bondade da decisão de nacionalizar o Banco, porque o Governo vai utilizar o dinheiro dos seus impostos que, ao que nos tem sido dito, não chega para as mais elementares responsabilidades do Estado.
Para já é também urgente saber porque decidiu o governo utilizar o dinheiro do Fundo da Segurança Social num “investimento” no BPN, quando Sócrates sempre se mostrou nauseado com tal recurso; saber porque foi feito esta operação financeira com um banco com notórias dificuldades; saber porque se calou o Banco de Portugal nas alegadas ilegalidades do BCP e se cala agora sobre a situação de eventual descalabro do BPN; saber porque o P.M. prefere fazer propaganda do computador Magalhães, que já se sabe que não é português, do que esclarecer os portugueses de todas estas trapalhadas.
FERNANDO MORENO

