
No último fim-de-semana o país esteve atento ao congresso do partido que sustenta o governo.
Como estamos em tempo de crise nacional, cuja responsabilidade é, também, do actual governo, todos precisamos de recolher informação que nos aponte as soluções do futuro.
Sabemos que todos os índices económicos nos são desfavoráveis, numa recessão que Guterres tornou possível e Sócrates concretizou. Por isso era importante saber que soluções apresenta o PS para os próximos tempos, antes que todos fiquemos sem emprego e o país se transforme num modelo terceiro-mundista do tipo dos paraísos socialistas da África ou da América latina.
Os congressos são, para todos os partidos democratas, por excelência, um momento de clarificação de políticas que resultam de debates de ideias e uma oportunidade para refrescar opiniões e reformular projectos políticos.
Com a abertura do tal congresso socialista, por Sócrates, assistimos a um interessante momento de vitimização, apontando as armas aos directores dos jornais e dos canais de televisão, por veicularem aquilo que considerou calúnia e tentativa de assassinato político da sua imagem, com a tal “campanha negra”.
Curiosamente tínhamos uma opinião completamente contrária à do Primeiro-ministro, porque o que se tem dito é que o actual governo apenas ainda existe porque tem exercido controlo e censura sobre certa comunicação social.
Os órgãos de comunicação social que se sentiram visados pela acusação de Sócrates vieram de imediato repetir, com exibição de documentos, tudo que tinham dito anteriormente sobre o caso Freeport, não deixando qualquer dúvida nos espectadores de que não houve qualquer desvio da verdade jornalística.
Mas o discurso de abertura do congresso de Sócrates não se ficou por aqui. Passou ao auto elogio e propaganda do governo.
Portanto, nada de novo, um vazio confrangedor, disseram alguns comentadores. Nem sequer teve coragem de falar do tal projecto que faz parte da sua Moção, sobre o casamento dos homossexuais, assunto que estava agendado com tanta antecedência.
O próprio António Costa, que serviu de anunciador da tal Moção, preferiu apontar armas contra o Bloco de Esquerda, que falar das propostas “fracturantes”do socialismo revolucionário.
Mas um congressista não resistiu, e não obstante de assumir a obediência a Sócrates, lá foi à tribuna lembrar ao primeiro-ministro que “ no reino animal um cão não acasala com uma cão, um porco com um porco, e um cavalo com um cavalo, antes pelo contrário lutam pelo direito a acasalar com a fêmea”. Esta terá sido a única discórdia com Sócrates em toda a festa socialista do fim-de-semana.
Um corte de energia ao princípio da noite veio mesmo a calhar para não serem discutidas algumas moções sectoriais, porque o apagão prolongou-se pela madrugada, o que ajudou ao unanimismo.
Outra pedra no sapato era Manuel Alegre. Mas este não foi ao congresso.
Um congressista já com os seus 91 anos acabou por dizer que a melhor forma de manter o lugar político era ficar calado, porque o protesto poderia fragilizar a confiança de Sócrates…grande democracia…
António Costa “malhou” sem dó no Bloco de Esquerda que ao que se sabe está a “roubar” eleitorado ao PS. Durante os três dias não foram apresentados quaisquer soluções para a situação do país nem sequer questionado os vários membros do governo sobre questões como o encerramento de urgências e maternidades, a situação da justiça e da educação, etc.
De referir que a única Moção que foi a votos, foi a apresentada por Sócrates que teve apenas um voto contra(!).
O congresso acabou caracterizado, por todos os analistas, de vazio de ideias e apenas propagandístico.
O discurso de encerramento do congresso era esperado com alguma expectativa. Muitos canais de televisão, em directo, esperavam que Sócrates anunciasse finalmente as medidas que, além do casamento dos homossexuais, fossem úteis para ajudar Portugal, em tempo de grave crise social e económica. Mas o Primeiro-ministro apenas prometeu pequenas medidas de carácter social na educação e a obrigatoriedade do ensino pré-escolar. Medidas que aliás já estão previstas há mais de 10 anos.
Esgotou-se em nada um congresso do partido do governo do país. Um partido que se quer cada vez mais de esquerda, que inicia o seu mandato a fazer de Freitas do Amaral (ex CDS) ministro e que agora vai buscar Vital Moreira (ex PCP) para deputado europeu. Só por estes exemplos se entende o total desnorte ideológico de um partido que teria que ser ideologicamente inequívoco.
FERNANDO MORENO
