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O tio Júlio e o primo Hugo

2009 Março 7 · Deixe um comentário

freeport 

 

 

 

 

 

Portugal esta completamente mergulhado numa crise que já não é só económica mas também social e muito particularmente politica.

Os números da recessão, segundo observadores internacionais, são muito superiores aos anunciados pelo governo, e piores que a grande maioria dos países que compõem a União Europeia.

O desemprego está em aceleração com o encerramento, por falência, de cada vez mais empresas. A situação é dramática e o governo evidencia-se pela incompetência de gerir a crise, recusando os bons exemplos dos países que na Europa ou fora dela têm conseguido controlar as circunstâncias de afectação negativa da economia local.

O exemplo mais deplorável é a não descida dos impostos, bem como a obsessão pela s obras pública megalómanas.

 Mas ainda há mais exemplos de incompetência governamental. O que se tem passado na agricultura é pelo menos do ponto de vista moral um crime. Jaime Silva, ministro da tutela  afirma “que a crise não chegou a agricultura”. Ora foi o próprio Presidente da Republica que recentemente pediu mais atenção para este sector que está a definhar por falta de apoios.

E é este mesmo ministro da agricultura que num total de 1269 milhões de euros que a Europa lhe põe à disposição para a Agricultura Portuguesa nos anos 2007 e 2008 não foi capaz de utilizar mais de 800 milhões, enquanto que os agricultores estão na penúria e dentro de uma conjuntura económica grave como a que estamos a viver.

Mas os tempos desta governação socialista estão mesmo conturbados. Não esquecemos como, ainda há pouco tempo, alguns membros do governo, apontavam pronta e ferozmente o dedo a políticos da oposição sobre quem caíam suspeitas de envolvimento em processos de corrupção. E agora? Será que José Sócrates ainda tem condições de continuar a chefiar o Governo, depois das suspeitas que lhe são diariamente levantadas sobre o caso Freeport com o envolvimento de familiares.

Se não se sabe onde foram parar os sete milhões de contos, que acreditamos que não foram para Sócrates, uma coisa já foi confirmada: O tio Júlio moveu influências para que Sócrates recebesse os requerentes de um licenciamento complicado. Se isto se passa a nível de uma autarquia, todos entendemos pela grande proximidade entre munícipes, agora com um ministro o envolvimento da família deixa sempre muitas suspeitas pelo caminho.

José Sócrates não conseguiu explicar como conseguiu o Diploma de Engenheiro, em igualdade de circunstância com os outros engenheiros do país;  mandou fechar a universidade que lhe passou a licenciatura, e assim sobre o assunto foi colocado uma pedra sepulcral.

Mas o Freeport está aí, podemos questionar a boa-fé e a ingenuidade do tio Júlio e do primo Hugo como intermediários entre os requerentes e Sócrates , podem vir o Procurador Geral da República e a RTP com grandes entrevistas à magistrada que está a investigar, e dizerem repetidamente que nada tem a ver com o Primeiro ministro, e até darem detalhes do que está em segredo de justiça,  mas o povo tem cada vez mais dúvidas…e neste regime de suspeição não se pode ser profícuo em trabalho governativo e democracia.

São muitos os comentaristas políticos que acham que José Sócrates devia sujeitar-se ao julgamento popular com eleições antecipadas e aí saber se Portugal acredita na sua boa-fé e na ingenuidade do seu tio e primo. Não é possível tomar medidas rigorosas e duras para enfrentar a actual crise enquanto recaírem suspeições tão graves, mesmo que tão desmentidas, sempre pelos mesmos, que, já antes, tinham também perdido a credibilidade pública.

Não nos podemos esquecer que a imagem e respeitabilidade de um país perante o estrangeiro também se fragilizou ao aparecer nas capas dos principais jornais internacionais  o chefe do Governo de Portugal no centro de um  “apaixonante”  enredo  que envolve, supostamente, pagamentos avultados por favores oficiais que utilizam  offshores de familiares metidos pelo meio.

Estou convencido que os portugueses que acreditaram em Sócrates poderão vir a confiar-lhe o voto mas é preciso com urgência esclarecer tudo muito bem..

Sócrates tem,  um  único caminho, demitir-se e provocar eleições antecipadas. Se ele não o fizer deverá Cavaco Silva dissolver o Parlamento e convocar eleições. Não esquecer que por muito menos Jorge Sampaio sujeitou Santana Lopes a esse julgamento popular.

FERNANDO MORENO

Categorias: Opinião