Fernandomoreno’s Weblog

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A Páscoa mais difícil. Fome em Portugal

2009 Maio 28 · Comentários Desligados

fome

Eu sei que é um assunto recorrente falar de fome em Portugal. Sempre houveram franjas sociais constituídas por famílias que por motivos étnicos, iliteracia, alcoolismo e outras toxicodependências, estiveram sujeitas a dificuldades económicas que provocam nas suas famílias incapacidades geradoras de fome e desnutrição.

Este grupo de cidadãos vinha diminuindo com o evoluir dos tempos, muito particularmente com as medidas políticas de apoio social aos mais carenciados. Mas o que hoje assistimos é que a fome e a desnutrição se alastra também à classe média.

Recordo aquela professora do ensino secundário que colocou nos classificados de um jornal diário, um anuncio, a oferecer-se para trabalhar de “mulher-a-dias” em limpezas em casas particulares. Indaguei o assunto e a história é paradigmática da sociedade emergente a que as políticas actuais estão a conduzir o país.

A Sr.ª Professora não aguentou a pressão que a actual Ministra da Educação exerce sobre os professores e começou a ter problemas de ordem psiquiátrica que a impediram de exercer a actividade de docente.

Assim, o ordenado ficou reduzido, e como uma desgraça nunca vem só, o marido foi despedido da empresa onde trabalhava há 25 anos. E como “em casa que não há pão todos ralham e ninguém tem razão”o divórcio está em curso.

O ex marido vive da caridade de familiares, a professora que ficou com seus três filhos vai agora fazer limpezas para poder alimentar a família.

Um centro de Saúde de Vila Nova de Gaia fez, recentemente, um levantamento sobre o estado nutricional de alunos do primeiro ciclo e conclui que o índice de jovens a passar fome por falta de rendimentos dos pais está a aumentar assustadoramente.

Este é o retrato do país que temos!!!

Mas então o governo não está preocupado com a Educação e até anda a distribuir computadores aos alunos e meios tecnológicos de ponta para às escolas?

Poder-se-á falar de fome num país em que o governo quer levar por diante projectos de superior encargo financeiro, muito para além das nossas possibilidades, como marcas do regime para a prosperidade?

Na semana pascal passaram pelos vários canais de televisão películas cinematográficas representando a tirania do poder Romano sobre os povos. Eram governos faustosos que humilhavam e exploravam populações pobres, enquanto mandavam construir obras megalómanas, marcos de regime, e se divertiam com o sofrimento do povo.

Eu sei que é meu exagero fazer analogia, mas vejo alguma similitude com a professora que trabalha a dias para dar de comer aos seus filhos e o sorriso sarcástico dos políticos; ao ver crianças a passar fome e o governo a pensar em TGV,s e mega aeroportos.

Como pode o Sr. Primeiro Ministro vangloriar-se por entre festejos eleitoralistas com inaugurações de escolas quando os pais dos alunos estão sem dinheiro para lhes dar de comer?

Como pode o Sr. Primeiro Ministro auto elogiar-se das suas iniciativas estruturais se a realidade do povo português é de desespero por falta de emprego, por falta de saúde, por falta de justiça, por falta de segurança e quando a Economia nacional contrai-se 3,5% este ano. Valor que representa  a pior situação desde que há democracia, diz Banco de Portugal.

Como pode o Sr. Primeiro Ministro apresentar-se na Assembleia da Republica tão sorridente quando deve explicações ao país sobre uma realidade inesperada de falta de transparência nos processos judicias com implicações políticas como o caso Freeport.

Será que o Primeiro Ministro e restante governo já repararam que esta foi a Páscoa mais infeliz de milhares de famílias portuguesas, muito particularmente do norte do país onde o governo encontra a sua principal base de apoio eleitoral?

FERNANDO MORENO

Categorias: Opinião

Que vai fazer Cavaco às pressões dos magistrados?

2009 Maio 28 · Comentários Desligados

pressoes dos magistrados 

Os dias passam e o país fica cada vez mais confuso com o futuro que nos espera.

A crise, a falência, a fome, o desemprego, que mais nos irá acontecer, enquanto alguns alegremente se esquivam à responsabilidade da situação?

O caso Freeport toma proporções de escândalo nacional, com suspeitas ao mais alto nível, numa rede que parece difícil de deslindar.

Alberto João Jardim chega mesmo a afirmar que em qualquer país democrata o principal visado, Sócrates, já se deveria ter demitido até que tudo fosse esclarecido.

A adensar o referido processo, que já tem barbas, vem agora o novo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, Dr. João Palma, dizer que vai pedir uma audiência de urgência ao presidente da Republica, Cavaco Silva.

Ora, João Palma tem vindo a denunciar pressões sobre os magistrados, alegadamente relacionados com o caso Freeport e que visam, segundo a comunicação social, levar ao arquivamento imediato do processo.

Perante esta denúncia dos magistrados, o caso Freeport agrava-se. É necessário saber quem têm sido os autores das “pressões”. O país precisa de ser esclarecido urgentemente sobre este assunto que, a confirmar-se, trata-se de uma ingerência inadmissível na investigação criminal. Ou seja, estamos perante a perda de uma das principais garantias do funcionamento democrático das instituições judiciais.

Que fará Cavaco na posse de tão grave denúncia?

Aliás não entendemos porque é que Sócrates, sendo o principal visado no caso, ainda não foi, na sua defesa, constituído arguido e Charles Smith e Manuel Pedro foram.

Não entendemos também porque é que no Ministério de Sócrates (M. Ambiente) à altura dos factos ninguém foi constituído arguido e nem sequer é objecto de investigação.

São vários os analistas que perguntam mesmo com que fundamento é que o Procurador –Geral da República tem saído na defesa pública da inocência do Primeiro Ministro. Como pergunta Mário Crespo, “como pode o Sr. Procurador passar atestados de inocência de uma pessoa que nem sequer está a ser investigado?”.

A recente revelação de uma gravação comprometedora em DVD, parece criar novas e inequívocas pistas de investigação: porque é que, mesmo depois da sua divulgação pela TVI a Procuradoria Geral da Republica faz de conta que o DVD não existe?

Se os protagonistas fossem outros como seria encaminhado este processo?

Por que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social admoestou a Informação da TVI que está a fazer uma investigação jornalística profunda sobre o assunto de forma reconhecidamente sustentada?

Foi comunicado que o Sr. Primeiro Ministro vai agir judicialmente contra a alegada difamação do seu bom nome, talvez nesse processo venhamos a saber quem na Inglaterra, não gosta de Sócrates e entregou o tal DVD à TVI, e que motivos o levam a ter em Inglaterra os mesmos ódios que, muitos cidadãos em Portugal, conforme ficou demonstrado na semana passada com a monumental vaia quando o P.M. entrou no Centro Cultural de Belém.

Ninguém quer condenar em praça pública o Sr. Primeiro Ministro, mas deverá ser ele o primeiro a exigir que em Portugal a política não tenha peias e pugnar por um Estado de Direito com total independência entre os poderes políticos e judicias. E…Quem não deve não teme, diz o povo.

FERNANDO MORENO

Categorias: Opinião

Depois de 4 anos de governo socialista

2009 Maio 28 · Comentários Desligados

4 anos de governo socialista 

Já passaram 4 anos que o governo socialista de José Sócrates tomou posse, após a dissolução da Assembleia da República., pelo então presidente da República, Jorge Sampaio, igualmente socialista.

Olhando para traz e fazendo um balanço destes 4 anos, sobretudo no que diz respeito à promessa de Sócrates de desenvolvimento e melhores condições de vida para os portugueses, sobressai uma triste e insuportável conclusão que as estatísticas evidenciam e que nos demonstram que o rendimento médio de cada português está actualmente muitíssimo mais longe da média europeia, notando-se um agravamento progressivo com os anos de governação de Sócrates.

Assim, podemos dizer, que este governo fez andar o país para traz. Alguns analistas falam mesmo em oportunidades perdidas e classificam, sem papas na língua, que o governo foi “incompetente e desnorteado”.

De facto ninguém contesta que no tempo deste governo, Portugal, piorou todas as condições de vida da grande maioria dos cidadãos.

O que parece estranho é que este desaire governativo não se reflecte nas sondagens, que continuam a dar a maioria de votos ao PS nas próximas eleições legislativas.

Já várias vezes escrevemos sobre este assunto e temos claro que a táctica está em satisfazer, com pequenas coisas, algumas classes sociais. Ninguém tem dúvida que a família que recebeu gratuitamente um computador portátil do governo vai votar noutro partido que não seja o PS. Ninguém tem dúvida que aquele que não gosta de trabalhar e o Estado lhe atribui um Rendimento Social de Inserção vai votar noutro partido que não seja o PS. Estas entre muitas outras benesses que tem sido distribuídos a alguns cidadãos, são o suficiente para manter o PS no poder.

Mas para que não falte nada às campanhas eleitorais do PS durante o presente ano, e para que possa continuar com sucesso a propaganda do Magalhães, das Novas Oportunidades, dos Rendimentos Mínimos, etc, tudo a favor dos votos no partido socialista, Sócrates escolheu Vieira da Silva, Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, para coordenar todos os “trabalhos” e tácticas das campanhas eleitorais. Alguém já escreveu, que vamos assistir, durante este ano, ao festival de propaganda governativa, com muitas entregas de Magalhães, de diplomas de Novas Oportunidades, contratos com empresas municipais, eventos com famílias beneficiárias de Rendimento Social de Inserção, inaugurações de anexos e dispensas em lares de terceira idade, aberturas de cantinas públicas, etc, etc. Tudo à maneira de Chavez, grande “mentor” ideológico do socialismo “moderno”.

Todo este trabalho eleitoral, que será “desgastante”, tem por objectivo esconder o total desaire de 4 anos de governação, onde a Saúde fechou serviços de maternidade e urgências bem como outros de igual importância, onde a Justiça estagnou no caos da burocracia e da incompetência estrutural, onde a Educação chegou aos piores índices de sempre na satisfação de pais, alunos e professores, onde a Função Pública foi destruída no seu conceito de competência, onde os agentes policiais passaram a ser reduzidos na sua autoridade, onde o crime violento aumentou por alívio legislativo das Leis penais, onde o aborto passou a dar à sociedade uma nova orientação sociológica de falta de respeito pela dignidade humana, onde a Educação Sexual nas escolas passou a ter uma orientação avulsa e socialista de conceito materialista da vida, etc, etc.

De facto se o balanço destes quatro anos são aquilo que a evidência demonstra com mais desemprego, com mais falências, com menos oportunidades, com mais emigração, com mais guetos urbanos, com mais violência, com mais pobreza das famílias, com a destruição económica da classe média, etc, os próximos quatro anos podem, mercê da propaganda politica do governo, ser mais do mesmo. Por isso é que a frente dos sindicatos dos professores já decidiu pedir a todos os professores e simpatizantes das causas dos professores a não votarem no Partido Socialista. Se os autarcas das localidades que ficaram ou vão ficar sem serviços de saúde fizessem o mesmo pedido; se os funcionários públicos fizessem o mesmo pedido; se os magistrados e funcionários judiciais fizessem o mesmo pedido; se os agricultores fizessem o mesmo pedido, se as famílias que entraram em pobreza fizessem o mesmo pedido, se os deficientes fizessem o mesmo pedido, se os pensionistas fizessem o mesmo pedido, se os doentes das listas de espera fizessem o mesmo pedido; se os jovens que têm que emigrar após a licenciatura fizessem o mesmo pedido, então Portugal podia mudar…

FERNANDO MORENO

Categorias: Opinião