
Eu sei que é um assunto recorrente falar de fome em Portugal. Sempre houveram franjas sociais constituídas por famílias que por motivos étnicos, iliteracia, alcoolismo e outras toxicodependências, estiveram sujeitas a dificuldades económicas que provocam nas suas famílias incapacidades geradoras de fome e desnutrição.
Este grupo de cidadãos vinha diminuindo com o evoluir dos tempos, muito particularmente com as medidas políticas de apoio social aos mais carenciados. Mas o que hoje assistimos é que a fome e a desnutrição se alastra também à classe média.
Recordo aquela professora do ensino secundário que colocou nos classificados de um jornal diário, um anuncio, a oferecer-se para trabalhar de “mulher-a-dias” em limpezas em casas particulares. Indaguei o assunto e a história é paradigmática da sociedade emergente a que as políticas actuais estão a conduzir o país.
A Sr.ª Professora não aguentou a pressão que a actual Ministra da Educação exerce sobre os professores e começou a ter problemas de ordem psiquiátrica que a impediram de exercer a actividade de docente.
Assim, o ordenado ficou reduzido, e como uma desgraça nunca vem só, o marido foi despedido da empresa onde trabalhava há 25 anos. E como “em casa que não há pão todos ralham e ninguém tem razão”o divórcio está em curso.
O ex marido vive da caridade de familiares, a professora que ficou com seus três filhos vai agora fazer limpezas para poder alimentar a família.
Um centro de Saúde de Vila Nova de Gaia fez, recentemente, um levantamento sobre o estado nutricional de alunos do primeiro ciclo e conclui que o índice de jovens a passar fome por falta de rendimentos dos pais está a aumentar assustadoramente.
Este é o retrato do país que temos!!!
Mas então o governo não está preocupado com a Educação e até anda a distribuir computadores aos alunos e meios tecnológicos de ponta para às escolas?
Poder-se-á falar de fome num país em que o governo quer levar por diante projectos de superior encargo financeiro, muito para além das nossas possibilidades, como marcas do regime para a prosperidade?
Na semana pascal passaram pelos vários canais de televisão películas cinematográficas representando a tirania do poder Romano sobre os povos. Eram governos faustosos que humilhavam e exploravam populações pobres, enquanto mandavam construir obras megalómanas, marcos de regime, e se divertiam com o sofrimento do povo.
Eu sei que é meu exagero fazer analogia, mas vejo alguma similitude com a professora que trabalha a dias para dar de comer aos seus filhos e o sorriso sarcástico dos políticos; ao ver crianças a passar fome e o governo a pensar em TGV,s e mega aeroportos.
Como pode o Sr. Primeiro Ministro vangloriar-se por entre festejos eleitoralistas com inaugurações de escolas quando os pais dos alunos estão sem dinheiro para lhes dar de comer?
Como pode o Sr. Primeiro Ministro auto elogiar-se das suas iniciativas estruturais se a realidade do povo português é de desespero por falta de emprego, por falta de saúde, por falta de justiça, por falta de segurança e quando a Economia nacional contrai-se 3,5% este ano. Valor que representa a pior situação desde que há democracia, diz Banco de Portugal.
Como pode o Sr. Primeiro Ministro apresentar-se na Assembleia da Republica tão sorridente quando deve explicações ao país sobre uma realidade inesperada de falta de transparência nos processos judicias com implicações políticas como o caso Freeport.
Será que o Primeiro Ministro e restante governo já repararam que esta foi a Páscoa mais infeliz de milhares de famílias portuguesas, muito particularmente do norte do país onde o governo encontra a sua principal base de apoio eleitoral?
FERNANDO MORENO
