Os dias passam e o país fica cada vez mais confuso com o futuro que nos espera.
A crise, a falência, a fome, o desemprego, que mais nos irá acontecer, enquanto alguns alegremente se esquivam à responsabilidade da situação?
O caso Freeport toma proporções de escândalo nacional, com suspeitas ao mais alto nível, numa rede que parece difícil de deslindar.
Alberto João Jardim chega mesmo a afirmar que em qualquer país democrata o principal visado, Sócrates, já se deveria ter demitido até que tudo fosse esclarecido.
A adensar o referido processo, que já tem barbas, vem agora o novo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, Dr. João Palma, dizer que vai pedir uma audiência de urgência ao presidente da Republica, Cavaco Silva.
Ora, João Palma tem vindo a denunciar pressões sobre os magistrados, alegadamente relacionados com o caso Freeport e que visam, segundo a comunicação social, levar ao arquivamento imediato do processo.
Perante esta denúncia dos magistrados, o caso Freeport agrava-se. É necessário saber quem têm sido os autores das “pressões”. O país precisa de ser esclarecido urgentemente sobre este assunto que, a confirmar-se, trata-se de uma ingerência inadmissível na investigação criminal. Ou seja, estamos perante a perda de uma das principais garantias do funcionamento democrático das instituições judiciais.
Que fará Cavaco na posse de tão grave denúncia?
Aliás não entendemos porque é que Sócrates, sendo o principal visado no caso, ainda não foi, na sua defesa, constituído arguido e Charles Smith e Manuel Pedro foram.
Não entendemos também porque é que no Ministério de Sócrates (M. Ambiente) à altura dos factos ninguém foi constituído arguido e nem sequer é objecto de investigação.
São vários os analistas que perguntam mesmo com que fundamento é que o Procurador –Geral da República tem saído na defesa pública da inocência do Primeiro Ministro. Como pergunta Mário Crespo, “como pode o Sr. Procurador passar atestados de inocência de uma pessoa que nem sequer está a ser investigado?”.
A recente revelação de uma gravação comprometedora em DVD, parece criar novas e inequívocas pistas de investigação: porque é que, mesmo depois da sua divulgação pela TVI a Procuradoria Geral da Republica faz de conta que o DVD não existe?
Se os protagonistas fossem outros como seria encaminhado este processo?
Por que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social admoestou a Informação da TVI que está a fazer uma investigação jornalística profunda sobre o assunto de forma reconhecidamente sustentada?
Foi comunicado que o Sr. Primeiro Ministro vai agir judicialmente contra a alegada difamação do seu bom nome, talvez nesse processo venhamos a saber quem na Inglaterra, não gosta de Sócrates e entregou o tal DVD à TVI, e que motivos o levam a ter em Inglaterra os mesmos ódios que, muitos cidadãos em Portugal, conforme ficou demonstrado na semana passada com a monumental vaia quando o P.M. entrou no Centro Cultural de Belém.
Ninguém quer condenar em praça pública o Sr. Primeiro Ministro, mas deverá ser ele o primeiro a exigir que em Portugal a política não tenha peias e pugnar por um Estado de Direito com total independência entre os poderes políticos e judicias. E…Quem não deve não teme, diz o povo.
FERNANDO MORENO
